Durante séculos, a mera suposição da existência dos agnos foi tida como ridícula pela maior parte da comunidade científica. Porém, com o passar dos anos, as evidências tornaram-se tão claras que culminaram na comprovação da existência de tais criaturas.
De forma geral, agnos são árvores sencientes, muitas delas dotadas da capacidade de se comunicar e de andar de um lugar para o outro. Acadêmicos e estudiosos de todos os cantos de Terra Brasilis já tentaram entender esse fenômeno, mas os estudos sempre terminam em impasses e mais questionamentos.
Enquanto alguns acreditam que os agnos não são naturais, mas originários de magia, como os golens, há quem acredite que eles são uma forma de vida primitiva ou até mesmo uma evolução da vegetação nativa, ocorrida por meio da seleção natural. O fato é que, por enquanto, a pergunta primordial sobre a origem ou a natureza dos agnos segue sem uma resposta clara e efetiva.
Sabe-se que há pelo menos três tipos distintos de agnos. Os mais comuns são os chamados caminhantes. Eles se assemelham a árvores normais, mas podem falar e caminhar. Possuem corpos longos e poderosos, com troncos que se estendem por muitos metros de altura. Costumam manter um comportamento calmo, mas são muito violentos quando ofendidos ou contrariados.

Também existem os chamados guardiões, que ainda possuem algo que lembra um rosto, mas que não possuem nenhum outro traço humanoide. Eles controlam seus galhos e suas raízes e podem se comunicar por meio de palavras, mas são incapazes de se movimentar. São encontrados com mais facilidade no interior de densas florestas.

E, por fim, temos o agno maximus, o mais raro de todos os tipos e o que causa mais espanto nos cientistas. Isso se dá principalmente pela sua aparência estranhamente familiar e sua capacidade cognitiva superior. Apesar da clara constituição vegetal, esta espécie possuiu traços humanoides muito fortes e a capacidade de se comunicar, agir e pensar muito superior a qualquer outra espécie de agno.
Uma comitiva formada por quatro maximus chegou na cidade de São Paulo há alguns anos e exigiu uma audiência com o Imperador. Temeroso, mas tomado pela curiosidade, o monarca decidiu aceitar o pedido. O assunto da conversa nunca foi revelado ao público, mas é fato que, depois desse dia, muitas coisas mudaram.
Os agnos, até então vistos como criaturas sem consciência, foram elevados a posição de Peregrinos. Os quatro maximus, liderados por uma criatura chamada apenas de Nur, foram levados para o Parque Ibirapuera, onde ainda vivem. Também é sabido que eles são constantemente consultados pelos magos da Academia Aruanan de Feitiçaria e Magia Arcana.

PS: Ainda vale destacar a existência de um outro tipo de agno, embora não haja confirmação sobre um parentesco biológico. Este tipo, conhecido como proto-agno, nada mais é do que uma árvore comum, sem rosto ou aparência humanoide, mas que podem movimentar seus galhos e raízes de forma controlada. Eles não são capazes de sair do local onde estão plantados ou de se comunicar por meio de palavras. Mas a simples semelhança faz com que sejam classificados como agnos por algumas vertentes científicas.
